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Divagações sobre a animação independente no Brasil
Existe futuro para Animações para o público infantil na internet?
Escrito por J. Anderson   
15-Nov-2009

Desenho animado é automaticamente associado com crianças. É fato! Sabemos no entanto que muitos agradam adultos e hoje em dia até há os que são destinados exclusivamente aos adultos, vide o Adult Swim do Cartoon Network, ou Simpsons, ou South Park.

Porém, por mais que haja a associação entre desenhos animados e crianças, quando se trata de internet a coisa complica.

Primeiro: Dificilmente as crianças estão salvas de escutarem palavrões ou verem cenas adultas ao procurar por animações na internet.

Segundo: que é o motivo da primeira situação - Os conteúdos animados na internet são orientados ao público adolescente e adulto.

Por quê? Não existem produções infantis ou interesse na área? Sim, há o interesse e sim, há produção infantil.

  ao lado: Frango de dentadura, do site Avenida Arte Cartum

  O Querubim é um blog de poemas infantis da autora Neide Escada da Rosa

O que acontece é que o retorno de produções infantis na internet é muito pequeno. Retorno de público E monetário. Tirando o incentivo e condições de se manter na área e colocar comida na mesa.

Por quê? Simples, o público da internet é em sua quase totalidade formado por pessoas que já passaram da fase infantil (pelo menos fisicamente e cronologicamente falando, mentalmente não há garantia nenhuma Laughing). 

Enquanto na TV existe um compartilhamento da mídia para toda a família, dividindo horários de uso para crianças, adultos, ou todos juntos, etc., na internet os pequenos tendem a não ter familiaridade com a tecnologia o bastante para encontrar o que querem sozinhos. O computador costuma ser usado para trabalho dos pais ou sequestrado pelos irmãos adolescentes que são viciados em Orkut e MSN. Assim os pequenos acabam achando mais fácil ficar na frente da TV.

Assim é que, em se falando de animação, a grande audiência e retorno financeiro com publicidade recaia em sites de conteúdos voltados ao público do juvenil para adulto.

O produtor de animação infantil pode se encontrar perguntando como competir com sites como Mundo Canibal, Charges, Youtube e tantos outros que tem o potencial de quase a totalidade da audiência da internet?

minha versão do Carlinhos, do Mundo Canibal

 

Acredito que não seja por aí o caminho. Primeiramente não devemos pensar em competição como ocorre na TV. Na internet você não deixa de assistir um programa porque está vendo outro no mesmo horário. Na internet você pode ver o que quiser na hora que quiser, então o mesmo internauta pode passear no Youtube, em sites de tirinhas, no Charges, no Mundo Canibal e depois passar no seu site, gerando a visita para todos e clicando nos anúncios que lhe interessarem independente da página web. Ou depois de ver os sites citados, colocar o filho ou sobrinho na frente do computador e abrir o seu conteúdo.

E há aqui um ponto positivo para quem tem público infantil: As crianças tendem a clicar muito mais do que os adultos em anúncios. Sendo curiosas elas não se treinaram ainda para ignorar os banners e links patrocinados.

Mesmo assim, a audiência de um site apenas infantil nos dá condições de crescer? De continuarmos produzindo? De ter uma carreira continuada como animadores independentes para desenhos animados infantis?

 Eu infelizmente acredito que não. Se depender só de audiência e publicidade não. A não ser que se pense globalmente, transcrevendo o conteúdo em várias línguas que assim acumulem as visitações de vários países. E há de se pensar nas diferentes culturas, tentar ser universal nas suas histórias, etc.

Porém... Não pensemos unilateralmente, com viseiras nos olhos. Há outras formas de se obter receita e se manter no ramo. Sem ter de fazer produções vendidas apenas para agradar um público que não lhe interessa mas pode lhe trazer receita.

Falo aqui nos subprodutos de toda criação autoral: DVDs, gibis, livros ilustrados, camisetas, canecas, licenciamento, brinquedos, CDs musicais, etc.

 Com subprodutos você pode ganhar o suficiente ou até mais do que o necessário para se manter um autor/produtor independente de conteúdo infantil.

Mas antes que se anime, saiba que para obter interesse de compra de tais produtos, é necessário que os pequenos CONHEÇAM  seu material, seus personagns, suas histórias. E caímos novamente no problema da audiência.

Lendo O Ponto da Virada (The Tipping Point - de Gladwell, Malcolm) me chamou a atenção um dos fatores que geram a grande virada de algo em sucesso de massa: o uso do conteúdo dentro de grupos, assim como o uso por formadores de opinião. No livro cita-se o sucesso de um livro feminico que começou a ser usado por clubes de livros, em que as mulheres compartilhavam o que liam no referido livro. Dentro de pouco tempo essas pessoas comentavam e indicavam o livro para amigas, parentes, etc. E o livro virou um bestseller.

E o que isso tem a ver com produção de animação infantil para internet? Bem, aí tenho de usar de minha experiência com o Cartoonshow nesse tempo que estou no ar para explicar minhas conclusões sobre o tema:

Desde muito cedo comecei a receber e-mails e comentários de professores e educadores sobre os conteúdos do site. Logo alguns confessaram o uso de tirinhas e animações em salas de aula e nesse ano (2009) o Colégio Marista de Brasília me deu a felicidade de adotar a Aranha Popô como mascote de um projeto com os alunos discorrendo sobre a paz. Produzi algumas tiras e um episódio especial, além de um encarte de passatempos com a Aranha Popô em historinhas sobre a paz e gostei bastante de participar dessa iniciativa.

 

Enviei também alguns DVDs e links para download de diversos episódios e tirinhas para vários professores/educadores utilizarem em atividades em sala de aula.

Juntando isso que acabo de contar com a idéia do livro citado anteriormente, cheguei à conclusão que existe sim um futuro para animações infantisdentro da internet, mesmo que a salvação venha de fora, do mundo offline. Com a internet servindo como uma vitrine e disponibilizando o conteúdo para servir em ambientes físicos.

Reforçando a idéia: Citei grupos e formadores de opinião como chaves para sucesso de obras. Nesse nosso caso específico, estou sugerindo que os professores são os formadores de opinião e que os grupos são as classes estudantis.

Um único professor que acessa seu site e tem sua autorização para uso do material pode significar uma única visita ao seu site, mas gera uma exibição para uma sala de aula inteira! Quem sabe ele tenha outras turmas e utilize em todas elas? Ou quem sabe por quantos anos fará uso do conteúdo para ensinar seus alunos com algo que além de ensinar permite entretenimento?

Leverage! a palavra em inglês para alavanca. Seu conteúdo sendo de uso educativo pode alavancar seus resultados com o público. Sendo bastante útil ou pertinente pode gerar o boca-a-boca entre os professores e assim cada visita de um professor pode significar muito, mas muito mais em audiência. E audiência comprometida em assistir e entender seu material.Por mais que seja uma audiência não contabilizada na internet.

 


 

É por isso que tenho planos de elaborar melhor as histórias com conteúdo educativo quando tiver vontade de fazê-las (um ponto a ser discutido em outro post), oferecendo ferramentas para uso em sala de aula, como passatempos em cima dos episódios e similares.

 Fica aí o pensamento para ser discutido nos comentários. O que você pensa sobre isso?

Atualizado em ( 15-Nov-2009 )
 
O paradoxo de obter sucesso com desenhos animados para a internet - parte 4
Escrito por J. Anderson   
13-Nov-2009

Então tá, então, né?

Sabemos agora, baseado nos posts anteriores, que o conteúdo é a chave para uma boa divulgação e manter as visitações fiéis e retornando ao site.


 Sabemos que para o conteúdo ter sucesso é preciso levarmos em conta a mídia. No nosso caso a internet e o que o público internauta espera de obras online: identificação e que tome pouco tempo.

E com um conteúdo de sucesso que atraia muita visitação continuamente teremos bastante motivo para bons patrocínios e receitas gordas com publicidade que nos permitam nos dedicar exclusivamente à produção de desenhos animados. O que é o nosso objetivo.


 Analisamos os casos do www.charges.com.br e do Mundo Canibal e suas limitações em relação à quantia de receita que podem obter offline.

Agora vamos parar de apontar os problemas identificados e sugerir soluções?

 Primeiramente, o conteúdo deve buscar identificação e ser curto.

A chave, a meu crer,  está nas histórias e não apenas piadinhas e situações engraçadas, esse tempo já passou (de 1998 a 2003 por aí fizeram muito sucesso).

Embora celebridades da TV e cinema tragam identificação instantânea, não devem ser usadas regularmente ou ser o centro único da história. Para isso já existe o melhor site que há: o Charges.com.br. Não queremos ser cópias baratas de algo que já é bem feito.

 Se resolvermos atentar para todos os comentários em vídeos de youtube, sites de tirinhas, etc. Teremos uma idéia do que a grande maioria da massa de internautas quer: escatologia, sangue, violência, sexo.

 Podemos tentar agradar essa maioria, como o Mundo Canibal já faz bem a tanto tempo. Mas o conteúdo não será nada comercial. E embora nosso objetivo não seja ser comercial, também não é morrer de fome, então precisamos encontrar um meio termo que permita que as nossas obras agradem e ainda não tornem ofensivas as marcas que aliarem suas imagens aos nossos desenhos animados.

A solução? Eu vou citar o que eu acredito que servirá para meus objetivos. para os seus cabe à você.

História

Colocar todo o peso da obra na história. Começo, meio e fim. Pontos de viradas, clímax, antagonismos, objetivos, temas, etc. Minha intenção é que as histórias que eu produzir sejam atemporais,possam ser vistas daqui a 50 ou mais anos e serem entendidas. Que sejam universais, ou seja, aqui em Curitiba ou na China as histórias terão sentido.

 Que sejam divertidas, interessantes, que ao terminar de assistir a pessoa sinta vontade de ter mais daquilo. É o "efeito CSI", as pessoas assistem um e querem mais daquilo, não aguentam esperar outra semana pelo próximo episódio e assim dão vazão à existência de CSI Miami, CSI New York, NCIS, etc.

São histórias que podem passar na TV. Não são apenas para a mídia internet.

Mas para se obter sucesso e sobreviver produzindo é necessário levar em conta a mídia internet, então deve-se colocar situações identificáveis nas histórias, e quem não gosta de brincar com celebridades? Coloque uns artistas sendo sacaneados em suas histórias, mesmo que daqui há 20 anos ou menos ninguém lembre quem é Carla Perez ou Mulher Melancia. Afinal vemos nos desenhos antigos de Pernalonga e outros diversos personagens estranhos, que a maioria de hoje não reconhece mais, como Humphrey Bogart, Shirley Temple, etc. Mas eles estão lá e não interferem na história. Fizeram uma gracinha a mais na época para quem os conhecia, mas a história é maior que só aquilo.

Devemos buscar a identificação com o público até para tornarmos nossos personagens mais vivos, mais reais. Situações do dia-a-dia, injustiças no trabalho, no trânsito, na infância, situações comuns a todos que são engraçadas, etc. 

Assim podemos ter histórias de qualidade que podem migrar entre as mídias, passar pelo desafio do tempo e das culturas e ainda agradar o público internauta a ponto de voltarem mais vezes ao site e indicarem aos amigos.

 

 

Minha curtição são os personagens. Então vou dar atenção ao desenvolvimento de histórias ao redor deles. Pode não ser o seu caso, a sua curtição, mas eles são ótimos para fidelizar público e cativar as pessoas. Cativam a nós mesmos os criadores, para falar a verdade.

 

 Personagens geram licenciamento, produtos, brinquedos, gibis, DVDs :)

Mas personagens em histórias fracas ou que ninguém tome conhecimento já nascem fadados ao fracasso.

Então estude roteiros. 

Como em um livro que estou lendo diz: Se alguém quer aprender a fazer música, vai estudar teoria musical, aprender a tocar um instrumento. Se alguém quer ser ator, vai estudar, ensaiar, aprender a projetar a voz, interpretar, etc. E para aprender a escrever você também tem que estudar.

 E é isso por hoje, espero que tenham sido úteis esses posts todos. Tenho algumas experiências que quero fazer para testar essas teorias e assim que as tiver feito, postarei aqui os resultados.

Atualizado em ( 13-Nov-2009 )
 
O paradoxo de obter sucesso com desenhos animados para a internet - parte 3
Escrito por J. Anderson   
13-Nov-2009

Já sabemos que a identificação com o mundo do internauta é a GRANDE CHAVE para se obter sucesso na internet e assim até conseguir alguma visibilidade fora dela, como em revistas, jornais e até TV.

 

E como muitos que já tentaram copiar o www.charges.com.br  notaram, as celebridades obtém conteúdo de identificação imediata. Porque todos conhecem a pessoa com quem se está sacaneando e assim fica engraçado.

mas essa é a resposta? 

DEPENDE!

Depende do seu objetivo como autor/produtor/animador! É apenas ter uma receita para se viver trabalhando em casa? Ou é ter seus próprios personagens ganhando o mundo, podendo obter público cativo que permita depois revistas em quadrinhos, programas na televisão, brinquedos,licenciamento, etc.?

 Se você tem o sonho de ser um autor dificilmente você vai se contentar com histórias com personagens que não sejam seus.

E mais, charges já nascem datadas! Após poucos dias a maioria das animações com charges já não têm mais graça porque aquela situação já foi resolvida ou sumiu de circulação ou foi esquecida. Então para se obter sucesso nessa área de charges, tem-se de ter uma dedicação hercúlea como o Maurício Ricardo, do www.charges.com.br tem. E mais, ter um discurso próprio, uma opinião sobre o assunto. Alguma inteligência política e até jornalística, de preferência. Eis um dos motivos do sucesso do charges.com.br e porque outros que tentaram não fizeram tanto sucesso.

 

 Charge da Daslu já está datada, já é notícia velha, perde um pouco da graça

 

E o que dizer de produtos baseados em charges animadas? Quem compraria um DVD com histórias que passados alguns meses já precisam de explicação para quem estiver assistindo? Você não pode vender brinquedos nem produtos com os desenhos dos personagens, pois estes não lhe pertecem. São celebridades com bons advogados. Então nesse segmento existe um limite para o sucesso. Aqui eu sugeriria ao Maurício criar charges internacionais e fazer uma versão internacional do charges para obter receita de ouros países, não se limitar só ao Brasil. Condições e capacidade para isso ele tem.E inteligência para tirar sarro globalizado também.

Ok. Chegamos no paradoxo. Para fazer sucesso na internet é necessário ter identificação com o internauta padrão (a grande quantidade), mas se usarmos só de celebridades e situações atuais com que ele se identifique, não podemos explorar comercialmente essas produções fora da intenet e ficamos limitados em retorno financeiro e criatividade.

 

Também ficamos presos à produção continuada e sempre temos de estar atentos à tudo que acontece no mundo e que seja de conhecimento público. Logo passamos a limitar nossa criatividade e histórias. Para um jornalista, isso é parte da vocação, para imitadores é algo que fica mais difícil.

 Mas eis que temos outro exemplo: O Mundo Canibal!!! Este site é bastante conhecido e visitado e não trabalha com charges e nem faz uso apenas de celebridades, tendo inclusive seus próprios personagens!

Qual o motivo do sucesso do Mundo Canibal? 

Lembrando os posts anteriores, eu disse (escrevi?) que o internauta só se interessa por conteúdo com identificação, mesmo que ele nem saiba disso, e não tem paciência para nada demorado.

As histórias do Mundo Canibal vem ao encontro dessas duas "diretivas" (assim como o charges, que também mantém suas histórias curtas).  Mas aí você me pergunta, onde está a identificação nas histórias do Mundo Canibal?

O Mundo Canibal encontra identificação com os GOSTOS de um público pré-determinado. E por acaso esse público é o que é mais buscado e tem mais relevância na internet e em quase todas as campanhas de marketing: O público masculino adolescente e adulto até certa idade.

Adolescentes masculinos adoram escatologia, piadas sujas, brincadeiras com sexo e fluídos corporais e partes do corpo. É da natureza, é biológico.

Então quando adolescentes que estão contando piadas de peido e catarro encontram uma animação com tudo isso junto e bem produzidos, vão à loucura!

E novamente, isso não é pensado de antemão, é seguido pela própria facilidade natural que os autores (irmãos Piologo) têm em brincar com isso e de seus gostos pessoais. Eu mesmo criei Mongo e Drongo para fazer piadas com escatologia porque eu achava muito engraçado na época. Depois os personagens foram evoluindo para algo mais.

E não é só escatologia e sexo, é violência e sangue também que faz parte dos gostos de qualquer moleque com espinhas na cara e tempo demais trancado no banheiro. E tem tudo isso lá, no Mundo Canibal. E tremendamente bem produzido.

Algo importante a ressaltar aqui. A verdade dos autores. O Maurício Ricardo é jornalista de profissão que eu saiba, e os irmãos Piologo são casos de internação em hospício Laughing. Eles não tentam fazer com um objetivo falso ou hipócrita, mas porque essa vontade vem de dentro. Seja sempre verdadeiro!

O sistema do Mundo Canibal porém tem limitações, Um patrocinador conservador (como o são todos) dificilmente associaria seu nome a cocô, sangue, violência, etc. por achar que mancharia a imagem de sua empresa ou produto. Então as opções de ganhos com publicidade ficam limitadas.

 Brinquedos e demais produtos também tendem a ter uma venda menor, visto que o público infantil é que consome esse tipo de produto e estes não são autorizados pelos pais a visitarem o Mundo Canibal com frequência :)

 Os DVDs tendem a ter uma venda menor do que o desejado, porque esse público-alvo está tão acostumado a encontrar tudo na internet grátis e evita gastar em algo offline.

Se eu fosse sugerir algo ao Mundo Canibal seria de fazer o site mais orientado aos personagens. Com alguns ou um único personagem principal para chamar a atenção e ficar bastante familiar ao público a ponto de os adolescentes terem vontade de gastar para ter um bonequinho dele em suas mesas. Daí para comprar outros bonequinhos fica mais fácil. Na época que eu conheci o "Carlinhos" e ele tinha a devida atenção, com certeza eu teria comprado um bonequinho dele cagado para ter na minha mesa.

 Carlinhos

Outra sugestão é fazer média metragens com histórias mais longas com os personagens para DVD. As coletâneas tem pouco material inédito e o público já deve imaginar mais ou menos do que se trata. DVD é outra mídia, com outro ambiente, as histórias podem e devem ser mais longas e desenvolvidas. Isso daria mais condições de vender DVDs, acredito eu.

Sobre o sucesso da Havaianas de Pau, você pode me perguntar onde está o motivo do sucesso. Eu bato o pé na identificação com o usuário, mais especificamente com a infância do usuário. Gostaria até de saber de quem nunca apanhou nem foi injustiçado pelos pais se acha a mesma graça no desenho do que todo o resto de nós.

 


 

 Vamos continuar em outro post, ok?

Atualizado em ( 13-Nov-2009 )
 
O paradoxo de obter sucesso com desenhos animados para a internet - parte 2
Escrito por J. Anderson   
13-Nov-2009

Continuando o post anterior, vamos ao cerne da questão: o paradoxo entre produzir animação na internet e obter sucesso com isso.

Como chegamos à conclusão no post anterior (Tá, eu cheguei para vocês, mas tudo bemSmile) Tudo se resume à qualidade do seu conteúdo!

 Se você conseguir produzir um conteúdo de interesse o bastante, os visitantes que porventura o acharem na internet vão voltar, vão indicar, usar seu conteúdo em blogs, sites, até mandar para seus programas de TV favoritos e alguns programas de TV os utilizarão e gerarão muito mais visitas.

 Então antes de ser famoso e bem sucedido não seja um paranóico bloqueando o acesso a todos seus desenhos animados. Registre os personagens, informe-se sobre direitos autorais e libere com responsabilidade. A sua fama virá e depois que tiver milhões de acessos mensais você pode restringiro conteúdo a apenas seu site.

A porca torce o rabo é agora: Note que usei a palavra INTERESSANTE para descrever o conteúdo que pode levar ao sucesso. Não falei nada em BOM CONTEÚDO!!!!

Por quê?

A-há! O tal paradoxo está finalmente vindo à tona! Acontece que cada mídia tem, EXIGE, uma orientação diferente nas histórias que farão sucesso. Eu acredito piamente que as histórias da Turma da Mônica que saem em gibis, ou os desenhos animados que fizeram sucesso com Mickey, Donald, etc. NUNCA fariam sucesso se iniciassem na internet. Não com as mesmas histórias. Basta olhar os comentários existentes no youtube e etc. O internauta comum não se interessa por nada que não se identifique e não tem paciência para coisas longas. Esse texto mesmo só será lido até aqui por muito poucos que realmente têm algum interesse na área.

 Você até pode argumentar que há muita procura de vídeos da Disney e se visita muito o site da Turma da Mônica. E é verdade! Mas você acha que isso aconteceria se os personagens não fossem conhecidos? Parte da cultura nacional (Mônica) e mundial (Disney)? Não, não aconteceria. Alguns poucos visitariam, seriam fiéis e indicariam, mas esse número chegaria ao seu limite logo e as visitas estacionariam em um patamar fixo.

Ou seja, esses mesmos visitantes que chegam aos milhões em materiais da Disney e turma da Mônica  só o fazem porque já os conhecem, já se IDENTIFICAM com eles. Essa é a palavra-chave: IDENTIFICAÇÃO!

  Turma da Mônica jovem é uma tentativa de atrair leitores adolescentes através de identificação com seus hábitos e situações do dia-a-dia

 Por isso aparecer na TV pode ser bastante importante. Uma vez que haja a exibição em massa, seus personagens, site, história já se tornam reconhecidos, já se tem uma IDENTIFICAÇÃO com eles. E assim fica mais fácil haver uma satisfação do usuário em buscar saber mais e gostar de sua obra.

Mas aparecer na TV não é peça-chave. É antes de tudo um atalho.

Consegue agora imaginar porque o www.charges.com.br conseguiu tanto sucesso na internet? e em menos tempo do que o estimado previsto por empresas conservadoras. 

 É por causa das CELEBRIDADES utilizadas nas histórias. O Maurício Ricardo Quirino foi genial em fazer uso dessas charges com pessoas famosas e situações de conhecimento público. Não acredito que tenha sido intencional, mas por ser ele um jornalista, fazia parte dele esse humor satírico e assim conseguiu trazer um olhar inteligente sobre as situações, mas antes de tudo SITUAÇÕES RECONHECÍVEIS, com personagens IDENTIFICÁVEIS!

Não é o mesmo que o Casseta e Planeta faz? O Frango Robô, Simpsons, South Park, e tantos outros? Sim, é.

E fazem porque é engraçado. Colocar pessoas reconhecidas em situações engraçadas e fora do que esperamos. É algo natura do ser humano. Quem não faz brincadeiras e piadas com os amigos ou familiares? Porque são identificáveis com os ouvintes das piadas. Porém não se conta piada sobre o tio para alguém que não o conhece, não teria graça! Já sogra todo mundo tem, aí as piadas podem sair à vontade.

Então tudo se resume a fazer conteudo com celebridades para obter sucesso na internet?

Não é bem por aí. Vamos continuar no próximo post, ok?

Atualizado em ( 13-Nov-2009 )
 
O paradoxo de obter sucesso com desenhos animados para a internet - parte 1
Escrito por J. Anderson   
13-Nov-2009

 Primeiramente o objetivo do autor/artista/animador é antes de tudo produzir desenhos animados seus. Se é para a internet, TV, DVD, cinema ou etc. vai depender das oportunidades.
Como a internet é a mídia que mais liberdade e menos exigências possui para se começar, é a nossa opção inicial.

 Dito isso, vamos falar do paradoxo que acaba nos afetando (nós, animadores de internet). Que é produzir nossas obras versus ganhar dinheiro com essas obras na internet para podermos continuar produzindo. Pois se não houver o retorno financeiro, mais cedo ou mais tarde teremos de parar ou diminuir o rítmo de produções para poder sobreviver fazendo serviços para terceiros.

Então chega um momento que todo produtor independente de animações para internet começa a se preocupar mais com retorno financeiro do que com a produção em si, o que certamente atrapalha bastante a criatividade e produção. Mas é um pensamento que deve ser levado em conta. DEVEMOS TER RETORNO FINANCEIRO! Senão como manter a produção? A criatividade? a empolgação e a dedicação necessárias?

Ironicamente a Internet mesmo tem as soluções mais fáceis para isso, pois mesmo sem investidores, sem patrocinadores, patrões, equipes de venda, etc. você pode obter dinheiro com anúncios em seu site.

É simples, na teoria e no conceito: cadastre-se no Links patrocinados UOL como afiliado, ou no Google Adsense, copie os códigos que eles lhe passam no seu site e automaticamente aparecerão anúncios que lhe pagarão a cada clique de usuários.

Em teoria é simples, mas na prática a coisa complica um pouco. Porque os cliques pagam centavos. Então para se ter algum retorno financeiro relevante é necessário que hajam muitos, muitos cliques MESMO! 

E para se ter muitos cliques em anúncios, esbarramos na visitação. Vai ser necessária muita visita ao seu site até que você perceba algum valor digno de atenção em sua conta bancária.

Então a solução parece fácil, não é mesmo? É só aumentar a visitação! Mas como? Aí você esbarra em DIVULGAÇÃO!!!! Você vai ter de ter muitíssima divulgação de seu site para receber muitas visitas.

E leve em conta o seguinte: a coisa não funciona assim, que cada divulgação gere uma visita que gere  uma clicada num anúncio. Não mesmo. Para algumas centenas de indicações de seu site, algumas poucas pessoas vão se interessar em visitá-lo. E dessas pessoas que o fizerem, entre 0,1% e 1% vão ter interesse em clicar em algum anúncio seu. A coisa de divulgação e visitação tem que ser GRANDE! IMENSA! Só assim você pode realmente ficar em paz e trabalhar tranquilo produzindo animação sabendo que suas contas de luz, água, telefone, internet, provedor, servidor, etc. e tal estão garantidas.

 

Então você chega a conclusão que tudo se resume a obter divulgação. Mas como? Pagando publicidade? Tirando do seu próprio bolso? Calma lá!!! Antes de fazer isso você deve ter certeza que as visitas geradas através de publicidade paga tragam resultado útil

E que resultado útil é esse de que estou falando? É que cada visita volte mais vezes, que indique para os amigos, que comente, envie e-mails com alguma obra sua para os amigos, etc. Ou seja. Que cada visita gere mais visitas e que estas sejam continuadas.

E como fazer isso? Você sabe? Não é difícil. basta se colocar no lugar do internauta. O que faz você indicar algo na internet para os amigos? O que num site lhe faz voltar várias vezes e acompanhá-lo?

O CONTEÚDO!

 É isso, faça do seu conteúdo a sua melhor arma. Que alguns de seus desenhos animados sejam bons o bastante para serem favoritados pelos visitantes, que eles se interessem em ver mais disso e voltem sempre, que achem tão legal a ponto de indicarem aos amigos e melhor ainda, até a usarem em seus blogs, orkut, etc.

Fácil falar, Não é? Difícil é fazer.

Vamos parar por aqui e continuamos num outro post.

Atualizado em ( 13-Nov-2009 )
 
Fazer um curso de desenho animado ou não fazer?
Escrito por J. Anderson   
13-Nov-2009

 É meio comum eu receber e-mails de pessoas interessadas em trabalhar com desenhos animados perguntando se um Curso ou faculdade é importante ou imprescindível para se obter sucesso na profissão.

Bob ClampettHoje eu pensei em uma boa resposta: Walt Disney e sua equipe, Bob Clampett, Chuck Jones e todo o pessoal da Warner dos bons anos de desenho animado não fizeram cursos nem faculdade sobre o assunto porque simplesmente não existia! E hoje o que eles aprenderam e fizeram é ensinado em cursos de faculdades pelo mundo todo.

De onde eles aprenderam? Quem os ensinou? A prática! O interesse em fazer melhor, em se aprimorar, em conseguir movimentos cada vez melhores e mais interessantes, em tornar as cenas funcionais, vivas, engraçadas. Essa busca os guiou em testes e muita prática e estudo até conseguirem ser imbativeis até hoje em dia. Principalmente hoje em dia eu diria, porque o amadorismo está invadindo o mercado de animação e mesmo na própria Disney se vê movimentos sofridos e pobremente executados. Talvez porque a pessoa que sofreu para fazertenha feito uma faculdade, mas não se preocupou em aprimorar, em produzir bastante, em exercitar ao máximo suas habilidades em obter bons movimentos antes de ir atrás de trabalho por aí.

Então se você vai ou não precisar de curso de desenho animado, depende de seu perfil de aprendizado. Você tem mais facilidade aprendendo sozinho ou em sala de aula? Procurando em livros e internet ou com um professor? Essa é a grande diferença realmente que deve definir sua escolha por fazer um curso ou não.

Eu pessoalmente aprendo melhor sozinho, lendo e exercitando cada passo para ver se entendi. Indo além do que está num ensinamento e fazendo testes diferenciados, colocando em cenas que invento para testar o conceito. Assim aprendo mais do que o que vem mastigado em um curso com horas pré-determinadas.

Mas isso é porque eu tenho esse perfil, de aprender por conta própria e gostar de ler e estudar sobre o que eu gosto sempre que posso, acompanhar blogs sobre o assunto, fóruns de discussão, etc.

Mas o principal mesmo, tenha feito um curso ou não, é EXERCITAR, ou seja, FAZER, ANIMAR!!! Só assim você será capaz de entender o conceito, aplicando o que acha que aprendeu e ver as variantes e possibilidades de tudo isso.

QUANTO A CONSEGUIR TRABALHO, o que realmente interessa é o seu portfolio ou demo reel (video com trechos de trabalhos de animação que já executou). Uma empresa sempre preferirá alguém que possa começar imediatamente e dar qualidade ao trabalho em andamento do que pegar alguém que tem só as teorias e conceitos na cabeça, mas precisa ser treinado e ensinado antes de começar a trabalhar.

Atualizado em ( 13-Nov-2009 )
 
Num mercado sem oportunidades p/ animadores independentes, como criar seu próprio espaço? 3ª part
Escrito por J. Anderson   
19-Jun-2009

Dando continuidade ao texto sobre como conseguir um lugar ao Sol como animador independente, vamos relembrar nossos objetivos para nos manter trabalhando:

DIVULGAR SUAS OBRAS para

SER RECONHECIDO para

TER REMUNERAÇÃO e poder

CONTINUAR PRODUZINDO.

 Então, sobre DIVULGAR SUAS OBRAS:

 Sem entrar no mérito da qualidade de sua obra, de agradar ou não o público, uma vez que isso foge da alçada do que proponho compartilhar aqui, vamos propor sugestões para que seu trabalho alcance o maior número possível de pessoas/oportunidades de negócios.

Internet  - é o caminho mais fácil, mais rápido e sem censura ou julgamento.Para isso há blogs, sites, youtube, orkut, etc. Faça uso e aceite as críticas e comentários como forma de avaliação do seu trabalho. Crítica gratuita e vazia faz parte do comportamento do brasileiro mediano, então filtre para não chorar no traveseiro de madrugada. Seja sincero com você e procure resolver os problemas que você sente que existem nos comentários e críticas CONSTRUTIVOS.

FIZTV - É, a falação é que eles não pagam, mas não vamos nos ater a isso, vamos nos ater ao fato que sua animação tem possibilidades de ir realmente para a TV. E TV sempre alcança uma galerinha grande, ou pelo menos esperamos isso. O FizTV passa na TVA que tem âmbito nacional, ou algo perto disso, então é um tiroútil inscrever seu trabalho lá e torcer para que seja selecionado na TV.

 Telões públicos - Existem muitos serviços e empresas de telões por aí afora. Alguns em metrôs, ônibus, prefeituras, rodoviárias, shoppings... A lista é grande. E alguns estão procurando conteúdo animado para colocar em seu conteúdo. Não é comum falarem em pagamento, mas como artista desconhecido vale menos, encare como uma forma de ir fazendo seu nome aparecer e ir ganhando peso.

 TVs no interior. Distribuidoras de emissoras de TV no interior têm alguns programas locais, que geralmenteprecisam de mais conteúdo para dar variedade ou alcançar o tempo que compram. São mãos de vaca e nao acreditam em pagar pelo trabalho e esforço alheio, mas use a ferramenta a seu favor. Lembre-se: seu personagem ficando conhecido, você passa a ser conhecido: (Olá, sou o criador do personagem tal)

Aniboom, NewsGround, Atomfilms, etc. - Existem diversos canais que servem exclusivamente a exibir vídeos, alguns exclusivos para animação. Novamente a idéiade quantidade maior de público conhecendo seu trabalho, mais seu nome passa a significar para alguém e mais as chances de alguém porventura se interessar pelo seu trabalho e tentar entrar em contato.

Festivais - Aqui a coisa fica mais exigente, pois existe uma quantidade enorme de participantes tentando fazer parte de uma edição de um festival de animação, mas exatamente por isso você passa a ganhar algum respeito pelo menos por ter passado alguns trabalhos para trás ao ser selecionado, mesmo que seja porque o júri estava bêbado. Cavalo dado não se olha os dentes. :)

 Outra coisa útil da exigência dos festivais é que você se força (ou deveria) a aprimorar seu trabalho, compara com os selecionados e tenta encontrar o que eles podem ter queo seu não tem. As vezes pode ser uma panelinha, um parente no júri, mas geralmente o seu não teve algo que mexeu com os jurados. Então nisso é útil e agradável quando você finalmente é selecionadono seu primeiro festival.

A participação em festivais também lhe dá mais currículo se vier a precisar disso. E se ganhar, muita gente vai ficar sabendo.

TVs em geral - Caso você conheça alguém de dentro você pode conseguir aparecer entre comerciais ou anexo a um programa. Se a TV é grande, você passa a ganhar de mais prestígio e em pouco tempo. Outra forma seria tentar vender a idéia e a utilidade de sua animação na grade deles, mas aí é na sorte mesmo.

 Não vou falar em produtoras de TV e comerciais sob encomenda porque não são sua obra, pode significar currículo e até nome de certa forma, mas existe aí um outro tipo de caminho que começa nas agências de publicidade. 

 Então a idéia é essa: DIVULGAR seu trabalho, e assim ficar conhecido através dele. Se for bom gerará impacto e algumas lembranças e possíveis contatos. Tente fazer que seja.

O motivo de divulgar é o seguinte, artista desconhecido não tem poder de negociação, não gera interesse e não tem público. Fica difícil conseguir vender um projeto sendo um cara que tem trabalhos que ninguém viu. Uma vez que seu nome comece a aparecer em mídias diversas, você as pode citar na hora de tentar fechar um projeto, ou alguém viu e gostou e lhe procurou. Daí em diante é manter a roda girando para continuar produzindo.

Aqui termino a parte que fala de Divulgação do trabalho,acho que já adiantei o topico sobre RECONHECIMENTO, mas vamos ver o que podemos compartilhar sobre isso num próximo post.

Comente e vamos aumentar essa lista de possibilidades de divulgação. O que acha?

Atualizado em ( 20-Jun-2009 )
 
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